quarta-feira, 23 de julho de 2008

Não gostei do meu papel !


Acho que eu fui criada e fiquei esperando meu lugar, a minha vez de entrar na história, como a vez não surgiu , o autor resolveu me encaixar em qualquer brecha , pra eu não ficar à toa. Ele não podia criar alguém em vão, né ? Deve ter sido isso !

E o quê ele fez ? Me encaixou no descuido de uma adolescente e de um cara que não lembro ter visto mais de três vezes na vida ! A primeira por curiosidade dele, as outras duas por... Ah, sei lá ! Acho que foi por acaso; é, foi. O que eu penso é que nunca fui plano de ninguém, desde que nasci até hoje. Nunca fui, nunca...

Dos namoricos que tenho ( namoro não tive nenhum ), acontecem de repente e do mesmo jeito acabam. Os pretendentes ( pretendentes não, pois eles não pretendem nada ), os garotos, eles sempre desistem de mim, nunca fui plano pra nenhum deles também, se fui ... Ah ! Fizeram o favor de mudar essa parte da história !

Eles foram ! Cada um deles um plano. Planos esses frustrados, deve ter sido pra não perder o costume !

Será que eu sou uma figurante nesse enredo ?

Parece que estamos encenando numa peça de teatro ; somos meros personagens, com falas e ações já determinadas. Se eu não sou figurante; não gostei do meu papel ! Ser logo a feia, mal amada... ( Não ! Não estou pedindo pra morrer. Quero apenas um papel de destaque !

O que pretende nosso brilhante autor ? Receber gloriosos aplausos no final do espetáculo ?

domingo, 20 de julho de 2008

Mulher ao espelho




Hoje que seja esta ou
aquela,
pouco me importa.
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta.
Já fui loura, já fui morena,
já fui Margarida e Beatriz,
Já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.
Que mal faz, essa cor fingida
do meu cabelo, e do meu rosto,
se tudo é tinta: o mundo, a vida,
o contentamento, o desgosto?
Por fora, serei como queira
a moda, que me vai matando.
Que me levem pele e caveira
ao nada, não me importa quando.
Mas quem viu, tão dilacerados,
olhos, braços e sonhos seus
e morreu pelos seus pecados,
falará com Deus.
Falará, coberta de luzes,
do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,
outros, buscando-se no espelho.

(Cecília Meireles)


"A mulher que se olha no espelho está morta ou se sente morta ? Será ela uma mulher ou a mulher (afinal , foi todos tipos e teve todos os nomes ), que a moda mata ? "

Eu me sinto como essa mulher, ou quase. Eu não sei se ela se sente morta ou realmente está morta, mas no espelho eu me sinto: feia ! Para me sentir morta ainda falta um pouco .
Entretanto, assim como ela, quero apenas parecer bela. O que não é nada fácil pra mim !
Eu nunca fui loura, (sou morena)Margarida ou Beatriz, mas eu nunca pude ser como quis !
Diferente dela, não posso ser como quero por fora, eu mato a moda antes dela me matar, minha moda eu faço, mas não muda nada. Eu, sempre eu ! Ando meio enjoada de mim...